Criar espaços de trabalho inteligentes (smart workplaces) é o principal foco da neuroarquitetura. Um escritório precisa considerar a iluminação, a acústica, a vegetação, as cores e os espaços interativos que estimulam a troca entre os colaboradores. Todas essas influências estão interligadas a uma questão de saúde. Nós temos um relógio biológico dentro do nosso organismo e precisamos perceber os períodos da manhã, tarde e noite, principalmente quando começa a anoitecer, pois produzimos mais hormônios relacionados ao sono. Estar somente sob a iluminação artificial durante o dia faz as pessoas não perceberem o horário passar, o que dificulta e propicia para que aumente a dificuldade na hora de descansar ou dormir, o que causa insônia e impacta diretamente na produtividade e na saúde das pessoas.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Journal Clinical Sleep Medicine, colaboradores que desfrutam de luz natural têm mais chances de se manter saudáveis e de bom humor. As janelas com vista para a “natureza” ajudam a diminuir a frequência cardíaca e reduzem o nível estresse. A necessidade de qualquer ser humano é a conexão com a natureza. Por isso, é uma ação da neuroarquitetura distribuir folhagens e plantas próximas aos locais de trabalho o que aumenta em 6% a produtividade e estimula em 15% a sensação de bem-estar e criatividade do profissional nestes ambientes. A vegetação também pode ser criada virtualmente através de imagens, quadros, telas com projeções de imagens ou revestimentos que simulam madeira, pedras e plantas, por exemplo. Além de ser econômico é bem fácil de aplicar no ambiente.

Os ruídos são os principais vilões de qualquer ambiente de trabalho. É impossível manter-se concentrado com o barulho do trânsito da rua, com o colega da mesa ao lado falando ao telefone ou com o ruído do ar condicionado. Pesquisas mostram que diminuímos 40% da capacidade de produção com a presença de barulhos externos. Outro detalhe importante é que muitos escritórios usam cores vibrantes para fugir da monotonia do branco e do cinza, mas, isso pode ser um erro, pois cada tonalidade atinge uma área do cérebro de forma diferente, impactando nas emoções e comportamentos de cada um. Por isso, é muito importante ter um estudo na hora de escolher a melhor cor para o ambiente.

A principal ideia da arquitetura moderna é fazer hoje ambientes corporativos inteligentes, que propiciem a sensação de bem-estar aos colaboradores e que, por consequência, aumentem a qualidade de vida deles. O que é extremamente considerável, partindo do princípio de que as pessoas convivem durante muitas horas do dia, vários dias na semana, nesses ambientes. Além disso, ficam nesses espaços, muitas vezes, até mais tempo do que em casa. Por isso, o conceito de smart workplaces é uma tandência que tem conquistado cada vez mais países na Europa, Estados Unidos e recentemente as Américas. Em breve, vai ser um diferencial de mercado.

Priscilla Bencke (http://www.qualidadecorporativa.com.br/): Especialista em projetos para Ambientes de Trabalho, consultora internacional de Qualidade em Escritórios, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS e pós-graduada em Arquitetura de Interiores pela UniRitter Laureate International Universities. É responsável pela Bencke Arquitetura e atua nas áreas de consultoria, projeto e execução para empresas que buscam a produtividade através do bem estar e qualidade de vida aos colaboradores. Fundadora do conceito Qualidade Corporativa: Smart Workplaces, sendo a organizadora da agenda de eventos e cursos em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre sobre a arquitetura e neurociência.