Nos últimos anos, falar em sustentabilidade se tornou praticamente uma regra. Na arquitetura, isso também aconteceu: prédios verdes, projetos socialmente equilibrados e mitigação de impactos ambientais são apenas algumas das temáticas que se tornaram comuns entre arquitetos e designers.

Entretanto, é preciso pensar em que medida a arquitetura sustentável é um modismo ou uma tendência. A questão apresenta diversos pontos para reflexão: os recursos naturais são finitos, mas a população mundial cresce a cada ano, e os impactos desse crescimento são sentidos por todos.

É nesse contexto que os arquitetos devem se planejar para elaborar projetos ecológicos e oferecer a sua contribuição ao meio-ambiente. Confira a seguir algumas dicas que vão ajudar você a distinguir modismos de tendências!

O que há por trás da discussão

As discussões sobre sustentabilidade surgiram entre os anos 1970 e 1980, quando as pessoas começaram a ter mais acesso a veículos automotores, os níveis de consumo aumentaram e diferentes indústrias foram criadas. Nesse período, as pessoas estavam ávidas por consumir.

Paralelamente, em algumas regiões do mundo, muitas pessoas padeciam por fome e falta de água tratada. A população mundial se via diante do embate que expunha a opulência de alguns frente à carência total de outros. Foi nesse contexto que se começou a pensar em como pequenas ações sustentáveis poderiam contribuir para o bem-estar de um grupo maior.

As diversas vertentes da sustentabilidade

Ao contrário do que muita gente imagina, a sustentabilidade não está relacionada apenas a critérios ecológicos: o conceito também abarca aspectos sociais, financeiros e muitos outros.

Mas atenção! Não basta apenas criar um projeto ambientalmente responsável e que prioriza materiais ecológicos. É preciso garantir que a mão de obra usada na preparação daquela matéria-prima também teve condições saudáveis de trabalho, por exemplo.

Além disso, o mercado não perdoa projetos que se valem de conceitos ecológicos, mas que sejam inviáveis financeiramente. É importante que as propostas ambientalmente sustentáveis tenham o investimento feito recompensando em médio ou longo prazo. Por isso, é preciso observar as iniciativas realmente consolidadas.

Normas ambientais e certificações

Quando o mercado percebeu que o olhar das pessoas, dos governos e das empresas via a sustentabilidade como um valor para o negócio, foram criadas ferramentas para atestar esses valores de forma objetiva e sistemática. Foi aí que surgiram as normas, desde aquelas relacionadas à segurança do trabalhador  como a ABNT NBR 12284:1991, — até as que asseguram a reutilização dos resíduos  como a ABNT NBR 15112:2004.

Entre os selos e certificados, existem o Certificação Leed (Leadership in Energy and Enviromental Design), a AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental), o Selo Procel Edifica, o selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal, entre outros.

A sustentabilidade como produto

Com tantos órgãos dispostos a reconhecer alternativas sustentáveis, as ações que envolvem sustentabilidade assumem um novo patamar no mercado. Os selos e certificações passaram a agregar mais valor aos projetos arquitetônicos, pois simbolizam e atestam valores fundamentais para um grupo e para o planeta.

Hoje, as empresas se orgulham de manter práticas e rotinas sustentáveis, pois isso agrega mais valor à marca e aos processos. Isso significa que uma obra vista como sustentável é considerada mais valiosa pelo mercado.

Portanto, mais do que apenas um conceito, a sustentabilidade foi reconhecida como uma prática e atestada como um produto, passando por processos de certificação, averiguação e validação para adquirir valor legal.

As opções para a arquitetura sustentável

Se o cliente pede um projeto que seja sustentável, é preciso pensar em todas as opções que a arquitetura oferece e em como elas vão se encaixar ao perfil e necessidades desse consumidor. Todas as necessidades e expectativas precisam ser listadas para que o orçamento seja feito com base nesses parâmetros.

Imagine, por exemplo, que o cliente quer um prédio verde, mas a edificação precisará desocupar diversos moradores de uma área  isso deve acender um alerta. Da mesma forma, se o cliente pretende usar um tipo de pedra em sua construção, mas a extração desse material é feita de forma exploratória, o arquiteto deve se posicionar.

Os profissionais envolvidos

Um projeto que considera critérios de arquitetura sustentável não envolve apenas arquitetos, engenheiros e designers. Esse trabalho deve ser desenvolvido de forma transversal e perpassar áreas como a geografia, a economia, a ecologia, a sociologia e tantas outras áreas que estão diretamente envolvidas.

Quando se fala em sustentabilidade, muitas vertentes estão em jogo, e o cliente não tem condições de decidir todos os detalhes por si só. Você e a sua equipe devem oferecer mecanismos e ferramentas para que ele defina o que é positivo em determinada ideia e o que pode ser feito com os recursos disponíveis. Portanto, um profissional que opta se dedicar à arquitetura sustentável deve ser um ávido estudioso da área, orientando-se pelos fatos e não pelo que é puramente ideológico.

O exemplo de outros países

É muito interessante pensar nos exemplos de outros países na área de arquitetura sustentável. Diversos países europeus, o Japão e os Estados Unidos já desenvolvem diferentes práticas nessa área. Trata-se de lugares com alto grau de investimento em áreas em que essas iniciativas estão presentes.

Países com menos disponibilidade de sol durante o ano conseguem multiplicar seu potencial de energia por meio do uso de painéis solares. Isso sem falar nas usinas de energia eólica e na seriedade com que essas nações reaproveitam resíduos, entre outras ações.

E não são somente as empresas que trabalham com esse olhar: hoje, a própria população já cobra por práticas sustentáveis. Na Noruega, por exemplo, existe um nível de educação ambiental tão grande que a população preza por iniciativas sustentáveis em diversas áreas, com construção, transporte, saúde e até entretenimento.

Após se inteirar de tudo isso, fica uma reflexão importante: será que tantos países estariam investindo em arquitetura sustentável se ela fosse apenas um modismo? É claro que existem diversos tipos de investimentos, mas a essência da ideia certamente chegou para ficar.

Um projeto baseado na arquitetura sustentável pode ser apenas um primeiro passo de uma série de políticas valorizadas pelo cliente. Se ele ainda não pensou nisso, não hesite em ajudá-lo a construir um raciocínio que englobe todas essas variáveis.

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