A produção de materiais de construção e os processos que envolvem sua operação e manutenção em uma obra representam uma soma significativa de emissão de poluentes, que contribuem para o agravamento do efeito estufa e outras complicações ambientais. Diante disso, os arquitetos buscam constantemente por novas soluções para construir sem deteriorar ainda mais a natureza, conceito conhecido hoje como arquitetura sustentável.

No post de hoje, falaremos um pouco mais sobre o assunto e mostraremos como inserir essa tendência em seus projetos. Acompanhe!

O que é arquitetura sustentável?

Trata-se da prática que prioriza processos ambientalmente responsáveis e que limitam o impacto ambiental de uma obra, seja conservando a maior quantidade de energia e água possíveis ou utilizando itens reciclados e recursos renováveis.

O termo está associado não somente à arquitetura em si, mas também ao design, ao fornecimento de materiais, à manutenção e às disciplinas relacionadas à construção. Além de pensar nas edificações e na maior conservação ambiental, a arquitetura sustentável também pode ser uma maneira de ensinar aqueles que utilizam o espaço sobre a importância de cuidar do planeta.

Qual o impacto da construção civil?

A construção civil tem um grande papel no desenvolvimento econômico e social do país. Porém, o setor é responsável por 40% do consumo de energia mundial, 16% do uso de água potável, de 25% da madeira das florestas e por 50% das emissões de CO². Além disso, a área civil também é a maior geradora de resíduos de toda a sociedade, absorvendo 50% dos recursos extraídos da crosta terrestre.

Devido a esses altos índices, a arquitetura sustentável deixa de ser apenas uma tendência, tornando-se uma prática essencial para preservar o meio-ambiente e garantir o futuro das próximas gerações.

Quais práticas caracterizam a arquitetura sustentável?

Durante o projeto, é preciso pensar na implantação, no uso proposto, na manutenção do imóvel, no reaproveitamento do espaço para novos usos e também na demolição, caso venha a acontecer um dia.

Por mais único que cada projeto seja, existem algumas práticas comuns em toda construção sustentável. São elas:

Reaproveitamento da água pluvial

O reaproveitamento da água da chuva é a estratégia mais comum entre os arquitetos para reduzir o consumo de água. Na maioria das vezes, essa água é utilizada nas descargas de vasos sanitários e limpeza e pode atender as necessidades de uma residência ou pequeno negócio.

Esse reúso pode ser feito usando um sistema de coleta, uma pequena bomba e filtros específicos, um investimento que gera um enorme custo-benefício, e ainda contribui para um planeta mais saudável.

Reaproveitamento da água cinza

Da mesma forma da água da chuva, a água cinza também pode ser reaproveitada para uma infinidade de tarefas como limpeza, descargas e até irrigação de lavouras ou pequenas plantações, sendo tópico ainda mais importante no quesito sustentabilidade.

Essa água é aquela proveniente dos banhos, lavagem de roupas e torneiras sanitárias. Com o tratamento específico e o correto armazenamento, é possível reduzir a conta de água e ter um imóvel amigo do meio ambiente.

Utilização de formas renováveis de energia

À medida que avançamos para a era moderna, a energia elétrica se torna cada vez mais uma necessidade básica. No entanto, o estado atual da tecnologia exige investimentos governamentais substanciais em sistemas de distribuição centralizados, antiquados e ineficientes.

Dessa forma, o uso de fontes renováveis de energia como a solar e a eólica são excelentes alternativas. Os valores de implementação ainda são altos, mas a eficiência e diminuição do impacto gerados ao longo do tempo compensam cada centavo.

Aquecimento solar

Diferentemente das formas citadas acima, o aquecimento solar consiste no armazenamento do calor do sol, não gerando energia. Os coletores transferem esse calor para um boiler, onde a água quente é mantida até o seu uso.

Também possuem um custo relativamente alto, mas podem reduzir de 30% a 50% o consumo elétrico destinado ao aquecimento da água.

Construção de telhados verdes

Quem não gosta de um lindo jardim? Os telhados verdes — também conhecidos como coberturas verdes — consistem na construção de um jardim em cima dos imóveis. Eles atuam como isolamento térmico, proteção contra rachaduras provocadas pelo intemperismo, filtram a água pluvial que pode ser reaproveitada, geram oxigênio e trazem um lindo fator estético.

Sua instalação é feita utilizando um procedimento de impermeabilização, drenagem e plantio propriamente dito. As plantas utilizadas devem ser resistentes à incidência solar e exigirem pouca manutenção. Uma variação é a utilização de paredes verdes, que, de forma semelhante, são instaladas nas laterais da construção.

Utilização de materiais de construção reciclados e ecológicos

Uma medida comum para a eficiência da construção sustentável é quantificar a distância que os materiais devem viajar para chegar ao local da obra, o que significa que os materiais locais são preferidos. Além disso, a quantidade de conteúdo reciclado também serve como medida e ajuda a reduzir o desperdício.

O uso de materiais como blocos de terra comprida, adobe, tintas sem compostos orgânicos voláteis, madeiras certificadas ou de demolição, são apenas alguns exemplos dentre uma infinidade de materiais que podem ser utilizados nessa forma de construir mais consciente.

Aproveitamento da luz natural

Aproveitar a luz natural na construção não é só uma maneira de proporcionar mais saúde aos seus habitantes, mas também de reduzir o impacto ambiental e ser muito mais rentável.

O uso de grandes fachadas corporativas com vidros ou janelas que se estendem do chão ao teto são exemplos dessa prática. Existem no mercado diversos tipos de vidro que garantem a entrada da luz do sol, porém sem causar elevação da temperatura interna ou ofuscamento. Para os espaços corporativos não há nada melhor, pois consegue-se também maior produtividade e concentração.

Aplicação de técnicas que visam o resfriamento passivo

Outra forma de ter um espaço ecologicamente correto é contar com técnicas que visem o resfriamento passivo, ou seja, técnicas que promovam a diminuição de temperaturas de determinados espaços sem o consumo de energia elétrica ou combustíveis.

Na construção, elas podem ser feitas com portas e janelas específicas, disposição da construção no terreno, elementos na obra que aumentem a ventilação, construção de lagos e vegetações particulares no entorno, promovendo também uma maior qualidade de vida.

Buscar maneiras e inovações que visem a diminuição do choque ambiental provocado pelas edificações é algo que deve estar sempre em mente. Somente assim conquistaremos, de fato, uma arquitetura sustentável e viveremos em mais harmonia com a natureza.

Esperamos que este artigo seja útil para você e te inspire a adotar medidas ecológicas no seu dia a dia. Para se manter atualizado com as novidades que postamos no blog, assine nossa newsletter!