Muitos empresários são sensíveis à causa da acessibilidade, seja por possuírem alguma necessidade especial, seja por prezarem pela criação de um mundo mais inclusivo. Quando pensamos no contexto da arquitetura, os projetos exigem um olhar urgente sobre o assunto que independe de uma experiência particular com essa realidade. Portanto, elaborar projetos de acordo com as normas de acessibilidade é uma necessidade e uma obrigação dos arquitetos.

Os escritórios de arquitetura precisam atender às questões legais, às necessidades de cada cliente e aos preceitos universais, que consideram que qualquer pessoa deve ter acesso a todos os ambientes. Aqui, é preciso considerar não apenas as pessoas com necessidades especiais, mas também os idosos e as crianças.

Quer conhecer a arquitetura inclusiva mais de perto? Continue a leitura e entenda como garantir conforto e segurança em seus projetos!

Entendendo a arquitetura inclusiva

Um projeto de arquitetura é considerado inclusivo quando pode ser acessível e alcançado por qualquer tipo de público. Esse conceito é amplo e não está relacionado apenas aos espaços internos, mas também a materiais usados e a outros processos que impactam o deslocamento de algum grupo ou pessoa.

Entretanto, não basta que os espaços organizacionais sejam simplesmente acessíveis: eles também devem ser seguros, confortáveis e aconchegantes. Isso significa cuidar para que qualquer indivíduo seja capaz de chegar ao espaço e se sentir bem nele, tendo a segurança de que nenhum detalhe poderá colocar sua integridade em risco.

De acordo com o censo do IBGE de 2010, o Brasil tem mais de 24 milhões de pessoas com mais de 61 anos e mais de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de necessidade especial, sendo que parte destes últimos é também idosa. Esses números mostram a importância de pensar ambientes corporativos cada vez mais inclusivos.

O conceito de Desenho Universal

As discussões acerca da acessibilidade começaram a acontecer ainda no século passado, especificamente após a Segunda Guerra. Nessa mesma época, foi criado nos Estados Unidos o desenho livre de barreiras, também conhecido como Desenho Universal. O conceito foi o resultado das reivindicações de um grupo que não se sentia contemplado com os espaços americanos.

Esse movimento demorou a chegar no Brasil: foi apenas na década de 1980 que as empresas e profissionais de arquitetura começaram a se envolver com a ideia. O Desenho Universal considera sete premissas: equidade, flexibilidade, uso simples e intuitivo, informação perceptível, tolerância ao erro, baixo esforço físico e tamanho e espaço para aproximação e uso.

Legislação que deve ser observada

No Brasil, a NBR 9050/2004 é uma das legislações que devem ser observadas quando a ideia é criar ambientes corporativos acessíveis. A norma busca garantir acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Para aderir à arquitetura inclusiva, também é necessário expandir esse conceito para outros profissionais, como engenheiros civis e eletricistas, profissionais responsáveis pelo mobiliário e designers de interiores.

A norma trata de detalhes relacionados à área de circulação, da largura para deslocamento em linha reta de pessoas em cadeira de rodas, sobre a largura para transposição de obstáculos isolados a respeito da área para manobra de cadeiras de rodas, sobre espaço necessário para transferência e aproximação de cadeirantes e outras pessoas com necessidades especiais, além de medidas e questões técnicas específicas.

“Nada sobre nós, sem nós”

Essa frase retirada do livro “Inclusão: construindo uma sociedade para todos”, de Romeu Kazumi Sassaki, tornou-se um verdadeiro lema das pessoas com deficiências. O dito se refere aos espaços e soluções que são pensados sem considerar as pessoas com necessidades especiais. Muitas vezes, os profissionais se mostram bem intencionados e querem propor alternativas para melhorar a mobilidade, mas isso nem sempre é feito na prática.

Se você se propôs a incluir questões relacionadas à arquitetura inclusiva em seus projetos, não deixe de conversar com idosos e pessoas com outras necessidades para entender como é a rotina de cada um. Mesmo que a empresa não conte com funcionários que se encaixem nesse perfil, é preciso ter em mente que todo projeto deve ser criado com os olhos no futuro. Por isso, monte um fórum, uma pequena reunião ou mesmo use as mídias sociais para coletar opiniões sobre as reais necessidades das pessoas com deficiência.

Materiais e detalhes importantes

É muito importante pensar nas medidas preconizadas pela NBR para que os espaços sejam projetados de forma segura e acessível, mas sem se esquecer de todos os outros detalhes que fazem parte de um projeto de arquitetura. Isso considera os pisos antiderrapantes, os revestimentos usados, as barras de apoio, as pedras (que não podem ser lisas), a presença de tapetes, a altura de pias e lixeiras, entre outros detalhes.

Quando começar o trabalho, o arquiteto deve ter as medidas descritas na norma muito bem registradas — isso o ajudará a pensar nos fornecedores capazes de entregar materiais adequados e apropriados aos projetos acessíveis. Essa pesquisa deve ser feita de acordo com as necessidades da própria empresa: se um setor se destina a pessoas com déficit de visão, por exemplo, é preciso pensar o projeto desde a calçada externa da empresa, as texturas usadas no piso e outras questões específicas.

Mobiliário apropriado e inclusivo

O mobiliário é parte fundamental de um projeto arquitetônico e inclusivo. Um móvel pode ser projetado especialmente para cadeirantes, cegos, idosos e outros públicos, por exemplo. Da mesma forma, os materiais usados, as quinas, a altura das mesas, o modelo das cadeiras, o tamanho das mesas e a dimensão dos monitores do computador devem ser pensados para atender o espaço físico do ambiente corporativo.

A escolha do mobiliário também deve estar de acordo com a iluminação do espaço, com a ventilação e com outros detalhes relacionados à parte elétrica, como a altura e os modelos das tomadas. As maçanetas das portas  que devem ser de preferência no modelo de alavanca  e os puxadores das gavetas também devem ser de modelos que facilitem a abertura e fechamento.

O banheiro é outro espaço que merece atenção para garantir a acessibilidade, especialmente em relação à altura da pia e dos sanitários. Para se certificar de que os modelos escolhidos são mesmo os melhores para cada necessidade e não se esquecer de considerar nada, portanto, é fundamental consultar pessoas diversas antes de concluir a compra do mobiliário,.

Viu só como é possível pensar em arquitetura inclusiva, sem desconsiderar o charme e a inovação nos projetos? Se essa é uma preocupação do seu escritório, compartilhe esse conteúdo em suas redes sociais e contribua para que a acessibilidade se torne comum nos projetos de arquitetura!